"Há seis anos, ele estava apaixonado por ela. Perdidamente. O problema - um dos problemas, porque havia outros, bem mais graves -, o problema inicial, pelo menos, é que era cedo demais. Quando se tem vinte ou trinta anos, seis anos de paixão pode ser muito (ou pouco, vai saber) tempo. Mas acontece que ele só tinha doze anos. Ela, um a mais. Estavam ambos naquela faixa intermediária em que ficou cedo demais para algumas coisas, e demasiado tarde para a maioria das outras."
— Caio Fernando Abreu. (via c-a-n-a-r-i-o)
(via tu-li-pas)
"Meu quarto. A melhor coisa que havia ali era a cama. Gostava de ficar deitado por horas, mesmo durante o dia, com as cobertas puxadas até o queixo. Era bom ficar ali, nada acontecia por ali, nenhuma pessoa, nada."
— Bukowski, Misto Quente. (via verborragias)
(Source: ovelhosafado, via verborragias)
"Eu vou ter sede da sua atenção. Eu vou querer seu “mas, eu te amo” quando eu disser “eu te odeio, e não quero mais te ver por aqui”. Eu vou querer um beijo roubado no meio daquela briga. Eu vou querer seus elogios quando o espelho estiver de mal comigo. Eu vou querer sua sinceridade quando for necessário e a sua doce mentira quando minha vaidade precisar. Eu vou querer surpresas no meio do dia, ligações inesperadas. Eu vou respirar você… Eu vou amar você."
— Tati Bernardi. (via admiro-te)
(Source: c-a-n-a-r-i-o, via admiro-te)
"E eu te vi, sorria e sorria, mas lhe digo que todo o medo me sucumbia de jeito profundo, de jeito que não pude escapar. Sempre nos entreolhávamos, como alguém olha pra lua e pra estrelas. Naquele clima de festa junina, bandeiras, florzinhas, e alguns chicos. Os casais abraçados na fogueira, ou se não se esquentando a sós. Mas entre tantos sorrisos tive que lhe perguntar, se havia alguma coisa entre esses lábios - era de paste me preocupar com a rosa mais linda do mundo, é uma das coisas que o amor faz -. Peguei um chá, e dei um belo gole, e fui lhe chamar pra dançar. Me lembro que estava perto da fogueira, dando gargalhadas sem fim, não vi muita sinceridade naquele sorriso para ser humilde…Enfim lhe chamei, e comecei a ver fotos em tua volta, fotos que não havia vido desde de criança, quando tinha um sonho de ter amor infinito, fotos que me traziam calma, que lavavam as mágoas. Casa, bebidas, amigos, câmeras, chá, você. Era naquele rosto que eu lia meus sonhos, naquele sorriso eu me via me perdendo mais uma vez. Desde aqueles dias da infância, quando tive um sorriso traído pela ironia de “ir brincar fora”, quando lá fora, não era no meu mundo. Puro acaso, que toda vez entra na minha vida e muda tudo, sempre agradável, escolhas sinceras e que sempre me deixam confuso, mas que o vento vem logo o bota as ideias no lugar. E aqueles sentimentos rodavam mais que só a alma, eles vinham dominado meu corpo, se adaptando a ti. Meus gestos não eram de dança, eram de quem ama. Gestos que faziam você me acompanhar, que faziam eu me tornar aconchegante diante de ti, - estantes que me fizeram feliz - e se no fundo dos meus olhos, se você olha-se ali, veria nós veria um desejo. E naquele clima cultivei flores, que não haveria um “bem me quer”, haveria um “te quero muito, por isso lhe dou ela”. E assim comecei a perguntar, se todos aqueles sorrisos saiam com vontade ou com desprezo, se não, haveria uma mão para lhe dar, haveria um te amo entalado na garganta, haveria um coração com uma vela acessa, que resistirá as tempestades do tempo - claro que não disse isso, meus olhos que me deduravam…- Ela disse que eu estava louco, e que não estava acontecendo nada. Estava bem, ótima. Naquele estante não tive como ocultar minha vontade de rir. E ri. Estava mentindo, mas tão, tão…Tão. Quando comecei a rir, ela se desbrochou, senti que havia atravessado uma barreira, parecia que tinha conseguido passar do portão, quem sabe aquele era o caminho para o coração. Comecei a insistir pra algo sai-se dali, alguma frase sincera, alguma frase que mostra-se que havia avançado o portão, um sinal que estive-se entrando. Ela disse que haviam algumas coisas que lhe incomodavam. Comecei a trazê-la para um lado da festa, um lugar perfeito, agradeci ao acaso depois por ele. Trazendo-a com delicadeza, girando, para debaixo de uma árvore, que no caminho haviam folhas secas. Imagine-a, rodando, rodando, rodando, e folhas secas em seus pés. A perfeição do momento. A musica avia se tornado de fundo, as pessoas haviam se tornado enfeites. A árvore era perfeita. Não sei se é pura ilusão do amor, mas o mundo virou. A árvore parecia um relicário de almas cravas pela felicidade, coração se uniram ali, dava pra sentir quando pisamos nas folhas. Desejei que aquele sentimento não passa-se de ser um sonho. Estava dançando com ela, se não era um sonho, estava nas nuvens. E comecei a perguntar, sobre o que era problemas, e qual seriam as soluções. Comecei a pensar que rosas seriam as soluções de todos os problemas dela. Rosas no quarto, na cozinha, e uma com meu nome no coração. Comecei a pensar que era um garotinho, sozinho, cansado de jogar vídeo-game, tentando conquistar algo maior, como um caminho de rolimã. Ela disse que eram problemas de rotina. Rosas eram perfeitas pra isso. Disse que estava enjoada. Lhe mostraria como tomar chá, esqueceria na hora. Disse também que fazia tempo que ninguém surpreendia-a a tempos….O poderia fazer agora, declarar tudo que pensava, criar uma sensação de Capitu e Bentinho, Dom Casmurro agora iria narrar minha história. Pedi a deus agora, que lá fora a rua se torna-se vazia a nós. Peguei umas folhas secas, fiz um coroa, que combinava esplendidamente com o vestido dela. Ela meio que se assustou com meu ato. A coroa não serviu muito bem, meio que cobria olhos olhos dela, não me preocupei com isso. Quando havia colocado a coroa, e quando havia sobreposto o olho dela, era riu. Foi o sorriso sincero e perfeito da noite, foi e canto da boca, nada exagerado, nem muito leve. Algo sútil. Fiquei feliz, foi o primeiro sorriso sincero da noite, deu pra sentir. Ela não precisava ver minha cara de bobalhão me declarando. Ela só ouvia. Só me ouvia. Estava começando a surgir as estrelas, a lua irradiava glória. Comecei a me declarar, tudo que havia pensando, tudo que você leu…Agora ela sabia. Fui me guiando, por folhas, seguindo a sombra da lua enquanto me declarava, e girava entorna dela. Desejei que todo amor que tive-se naquela vida, e algumas coisas pra garantir o bem-estar dela. Terminei. Havia criado uma melodia, entorno da lua, das folhas, entorno do som da noite. Esse tempo todo criando figuras e figuras pra ela imaginar o quanto eu a amava. Que eu vivia amando-a. Percebi que, as folhas não aguentaram muito tempo, depois que um lágrima tocou nela. A coroa se desmanchou. Aquele olhar, aquele reflexo de mim nos olhos dela, aquele cabelo, aquele jeito, eu nuca tinha visto. Ela me beijou, segurou no meu rosto, e me beijou. Seus lábios quentes, haviam tocados os meus. Eu sorri. Sendo beijado. Consegui mais que um carrinho de rolimã, mais do que um vídeo-game, consegui passar a porta, a janela, as cortinas, as persianas, os brindes de família, os sonhos recortados da revista, quebrei todas as barreiras, e cheguei aonde ? onde encontrava seu coração, onde o ritmo da musica me fez dançar, fez meu coração se sentir em casa, se sentir em seu lugar. “Hum dap dararah oh” não sou bom em onomatopeias, mais era esse o refrão que ele cantava, junto ao violão. Não sei quem, não sei aonde, sei que toda minha felicidade se resumia a um beijo, quente, doce, sincero, um beijo que foi tocado por uma lágrima, e que não afetou a sensação de felicidade, era uma lágrima doce, como digo “lágrimas de felicidade caem doce na alma”, havia aquilo ali, havia musica, havia eu, havia ela. o mais essencial de tudo. Você está certo. O amor é brega. Eu era o cara mais brega do mundo, acompanhado pela mais linda dele. Não tinha motivo para acabar aquele momento, as estrelas haviam chegado na gente, haviam caído do céu, aquele momento, lhe garanto. Foi o mais longo da minha vida."
— Não quero saber de erros neste texto, se são grosseiros, ocultos, tanto faz. Ele é verdadeira, compõe a melodia de minhas obras agora. Marcos Rodrigues in El amor hace que todo se vea como. (via poetizando-me)
(Source: filosofiasdeumretardado, via poetizando-me)
"É bom poder contar com coisas simples. Uma delas é ter pra quem contar como foi o dia. Pedir um palpite num projeto importante. Pedir um abraço quando o mundo está chato. Encostar a cabeça no ombro e não dizer nada, apenas ouvir o som do vento lá fora. Rir de besteira. Ficar de mãos entrelaçadas assistindo televisão. Encostar o pé no pé do outro, na cama, vendo “House”. Ganhar café da manhã na cama. Aprender a rir das pequenas discussões que acontecem em qualquer relacionamento. Entender que a gente não deve guardar mágoa, pois toda mágoa vira um rancor chato colado no peito."
— Clarissa Corrêa. (via c-a-n-a-r-i-o)
(via tu-li-pas)
"Por todas as vezes que menti dizendo que estava bem para assim não me encherem, me enfadarem, me deturparem, me falarem, me brigarem, me xingarem. Por todas as vezes que eu gritei num eco que foi à Escandinávia mas não chegou aí, nem sequer arrepiou os pelos dos seus braços, nem abriu buracos, nem esferas, nem crateras. Por todas as vezes que eu fechei os olhos em sinal de depuração e dor e eles fizeram com que minha testa ficasse marcada por linhas denotativas de angústias. Por todas as vezes que corri dos carros no centro da cidade e fiquei com medo das pessoas que passavam, e riam, e olhavam torto e depois fingiam que não viam. Por todas as vezes que me escondi das surras da minha mãe e chorava por engolir as coisas, os mundos, os espaços a até mesmo os vazios. Eu sangro hoje. Sangro toda minha aflição, toda minha solidão, toda minha tristeza. Sangro as hemácias, as células dolorosas, os espinhos que se esconderam atrás das plaquetas, atrás das rosas, atrás de mim. Sangro todas as palavras que guardei no meu âmago, todas esperanças jogadas na lata de lixo, todo amor que não me compreendeu e , portanto, eu não tive. Sangro este amor que não conheci, este amor que não me viu, este amor que não, não existiu. Sangro o mundo por ele ser indiferente, indivisível, intransponível, indisponível, não-meu. Sangro a relação dos meus pais, a minha relação com meus pais, a falta de fé, a falta de coragem, a falta de viver. Eu sangro eu. E morro. E mato. E não existo mais."
— Igor Pires, Eu sangro. (via conotar)
"E quem nunca ficou braba porque a unha foi quebrada? Quem nunca se estressou com um vento maldito que bagunça o cabelo? Fico estressada o tempo inteiro, fico esperando uma única pessoa vir conversar comigo, e me sinto culpada e chata se ela não vem. Fico horas no computador só pra ver o meu amor online, mas é raro as vezes que tive a coragem de chamar. Odeio usar aquele salto que dói o meu pé, acho bonito, mas tortura. Não gosto de levantar cedo no frio. Gosto é de dormir. Já me chamaram de anti-social e que eu não gosto de interagir com as pessoas, mas é que até uma banana é mais interessante que muita gente por aí. Gosto de ficar em casa e ouvir o meu rádio no último volume. Não gosto de me preocupar com coisas bobas. Prefiro ficar de boa na lagoa."
— Pamela (via deslocad4)
(via re-alejar)